Avaí x Figueirense: a história do Clássico de Florianópolis
O Clássico de Florianópolis divide a capital catarinense como poucos. De um lado o Avaí, com suas cores azul e branco, defendendo a Ressacada e a tradição de clube da cidade desde 1923. Do outro o Figueirense, preto e branco, enraizado no bairro do Estreito e no estádio Orlando Scarpelli. O dérbi não é apenas uma partida: é o dia em que a cidade para, famílias se separam temporariamente e as ruas ganham tons de rivalidade. A história começou ainda no início do século XX e, desde então, cada encontro carrega o peso de décadas de duelos, provocações e memórias que se misturam ao cotidiano de Florianópolis.
A maior goleada da história do clássico aconteceu em 20 de fevereiro de 1938. O Avaí goleou o Figueirense por 11 a 2 na Ressacada. Foi exatamente nessa partida que Saul Oliveira estreou no dérbi. O atacante se tornaria lenda: ao longo de 45 jogos contra o rival, sempre com a camisa do Avaí, ele marcou 41 gols, tornando-se o maior artilheiro da história do confronto. Esse número impressionante ainda ecoa entre as gerações de torcedores azuis e brancos, servindo como combustível eterno nas conversas de bar e nas redes de torcidas organizadas.

A rivalidade que marca a cidade
A rivalidade entre Avaí e Figueirense vai muito além dos 90 minutos. Ela divide famílias, bairros e até ambientes de trabalho em Florianópolis. Quem nasce na capital catarinense quase sempre escolhe um lado ainda criança. O clássico transforma a rotina da cidade: o trânsito muda, as conversas nos ônibus ganham tom mais acalorado e as cores dos dois clubes tomam conta das janelas dos prédios. Essa divisão cultural é parte da identidade de Florianópolis há quase um século e se renova a cada temporada.
No dia do clássico, a tensão começa cedo. Nas ruas do Centro, no Mercado Público ou na Beira-Mar, é comum ver torcedores dos dois lados trocando olhares e provocações. A cidade respira futebol de forma diferente quando Avaí e Figueirense se enfrentam. O clima de dérbi local é único no estado e reforça o orgulho de cada torcida pela sua história e pelo seu estádio.
O clima quente na Ressacada
Quando o clássico é na Ressacada, a torcida do Avaí transforma o estádio em uma caldeira azul e branca. Desde a chegada dos torcedores, horas antes da bola rolar, os cânticos ecoam pelas arquibancadas. A pressão sobre o Figueirense começa no momento em que o ônibus visitante entra no estacionamento. Dentro de campo, o barulho não para. A torcida organizada do Avaí empurra o time do primeiro ao último minuto, tornando a Ressacada um dos ambientes mais difíceis para o rival na capital.

A atmosfera no Orlando Scarpelli
No Orlando Scarpelli o cenário se inverte. A torcida do Figueirense lota o estádio e cria um ambiente negro e branco que intimida. Os cânticos começam ainda no aquecimento e não param. A proximidade das arquibancadas com o gramado faz com que a pressão seja constante. Para o Avaí, jogar no Scarpelli em dia de clássico exige concentração total. A rivalidade se manifesta em cada lance disputado, com a torcida mandante empurrando o Figueirense em busca da vitória no dérbi da capital.
Saul Oliveira, o rei do clássico
Saul Oliveira entrou para a história do clássico de forma definitiva. Após estrear com vitória por 11 a 2 em 20 de fevereiro de 1938, ele construiu uma carreira impressionante contra o Figueirense. Foram 45 jogos e 41 gols marcados sempre com a camisa do Avaí. Nenhum outro jogador se aproximou de tal marca no dérbi. Seu nome é citado até hoje por torcedores mais antigos e serve de inspiração para as novas gerações de atacantes do clube da Ressacada.
A marca de Saul Oliveira representa muito mais que números. Ela simboliza o domínio do Avaí em certos períodos do clássico e alimenta o orgulho azul e branco. Cada vez que o dérbi se aproxima, o nome do artilheiro volta às conversas, lembrando que a história do confronto tem nomes, datas e placares que nunca serão esquecidos pela torcida do Avaí.
Como o clássico é vivido nas arquibancadas
Os torcedores organizados de ambos os lados preparam os mosaicos e as faixas com semanas de antecedência. No dia da partida, as torcidas chegam cedo para garantir os melhores lugares. O ritual inclui cantos específicos para o dérbi, provocações dirigidas ao rival e o famoso “não vai ter gol” ou “vai tomar goleada”. Essa rivalidade saudável, embora intensa, faz parte da cultura futebolística de Florianópolis e mantém o clássico vivo geração após geração.
- A maior goleada do clássico continua sendo Avaí 11 a 2 Figueirense, registrada em 20 de fevereiro de 1938.
- Saul Oliveira estreou no dérbi justamente na partida da goleada histórica.
- O artilheiro do clássico disputou 45 jogos e marcou 41 gols pelo Avaí.
- A rivalidade divide famílias e bairros de Florianópolis há quase cem anos.
- A Ressacada e o Orlando Scarpelli vivem dias de alta tensão quando o clássico é disputado.
- O clima de dérbi transforma a capital catarinense por completo nos dias de Avaí x Figueirense.
| Aspecto | Avaí | Figueirense |
|---|---|---|
| Estádio | Ressacada | Orlando Scarpelli |
| Cor predominante | Azul e branco | Preto e branco |
| Artilheiro histórico | Saul Oliveira | - |
| Maior goleada sofrida | - | 2 a 11 em 1938 |
| Clima de dérbi | Alta pressão | Alta pressão |
O Clássico de Florianópolis segue vivo e carregado de história. Cada novo encontro entre Avaí e Figueirense na Ressacada ou no Orlando Scarpelli renova rivalidades antigas e cria novas memórias para as torcidas que fazem da capital catarinense um dos ambientes mais apaixonados do futebol brasileiro.


